Estudos Coletivos e Sociais
Este blog é o diário de campo de uma estudante de ciências sociais, suas ideias e saberes de vida em movimentos. Contém as vivências, aprendizados e intuições socializadas com os mundos. Boa Viagem!
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
domingo, 30 de junho de 2013
Os exames, um modelo didático pouco valioso
Como todos os anos por estas datas
estamos já imersos no terror dos exames do nosso ensino, universitário,
secundário e primário. Um sistema de avaliação racional tem como missão
servir aos estudantes, mais que os docentes. A avaliação não pode ser
uma barreira para ver quem é capaz de superá-la, senão um modo de fazer
consciente o avanço, para saber quando se chegou a um nível e sentir
assim a segurança e a satisfação de continuar para a frente. Por isso a
autoavaliação é absolutamente necessária, nos níveis onde se possa usar.
É indispensável que o estudante seja sempre objetivamente consciente de
seu progresso. Quando o objetivo real é ensinar, a ideia do exame é tão
absurda, que inclusive parece mentira que se lhe ocorresse a alguém. O
exame é o produto de considerar a escola primária e secundária e a
universidade, como expedidoras de títulos. Ao que Tagore chamava
“etiquetas” para os vultos. Em que os vultos eram os estudantes e as
etiquetas os diplomas e títulos.
Parece ser que os inventores dos exames
foram os chineses, para comprovar o grau de memória dos aspirantes a
mandarins, que tinham que conhecer muitos gráficos do seu idioma. No
chinês cada símbolo é uma palavra e para lembrá-las há que ter uma boa
memória visual. Ninguém discute que o exame é um sistema para avaliar os
estudantes. Mas é o pior de todos, e do ponto de vista didático é o
mais antipedagógico.
Quando falo de exames, vem-me à memória o
movimento pedagógico mais importante que houve na Europa, a ILE
(Instituição Livre do Ensino), criada por Giner e os seus colaboradores
em 1876. Funcionou até 1936 e, ademais de não permitir o uso de livros
de texto, no segundo artigo dos seus estatutos figurava que os exames
eram proibidos. Sem exames, e graças à ILE de Giner e de Cossio, tivemos
no país personalidades tão destacadas como os prémios Nobel de
Literatura Echegaray, Jacinto Benavente, Juan Ramón Jiménez e Vicente
Aleixandre, e os de Medicina Severo Ochoa e Ramón e Cajal. Os literatos
da geração do 27 como Lorca, Alberti, Machado e Cernuda. O grande
cineasta Buñuel, o pintor Dalí, o pedagogo Luzuriaga e os filósofos
Conceição Arenal, Garcia Morente, Biqueira e Ortega e Gasset.
Na ILE os exames eram proibidos
O meu grande amigo Fernando González,
excelente professor que foi no antigo Instituto de Ourense, escrevia há
um certo tempo sobre os exames. Nalguns treitos do seu artigo discrepava
das minhas opiniões manifestadas sobre este tema em muitos dos meus
escritos pedagógicos. Acho que não entendeu em toda a sua amplitude o
manifestado por mim. Que ademais eu seguia o que pensavam os maiores
pedagogos que tivemos no país: Francisco Giner de los Ríos e Manuel
Bartolomé Cossío. Que não só o pensavam, como o levavam à prática com
grande sucesso. Na sua Instituição Livre do Ensino (ILE), desde 1876 a
1936. Em que estudaram todos os nossos Prémios Nobel, tanto de
Literatura como de Ciências e Medicina. Tal como anteriormente comentei.
Estou seguro que os exames do meu amigo
Fernando eram deste tipo que comento. Não aqueles que querem que o aluno
seja um papagaio, uma pega ou um magnetofone. No seu artigo
precisamente dá-me a chave de tudo. Como Giner e Cossío não faziam
exames deste tipo, no seu dia eram criticados. E diziam-lhes que quando
os alunos da ILE tivessem que fazer os exames de ingresso na
universidade fracassariam. Mas acontecia todo o contrário. As melhores
classificações eram para os estudantes que procediam da ILE. Os Ochoa,
Benavente, Ramón e Cajal, Jiménez, Aleixandre...
(*) Académico da AGLP, Didata e Pedagogo Tagoreano.
http://pglingua.org/opiniom/index.php?option=com_content&view=article&catid=3&id=5639&Itemid=81
sábado, 27 de abril de 2013
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