Todos os dias, na atmosfera esfumaçada e triste do bairro operário, o apito da fábrica lançava aos ares o seu grito estridente. Então, criaturas toscas, com os músculos ainda fatigados, saíam rapidamente das pequenas casas pardacentas e corriam como baratas assustadas. À fria meia-luz, iam pela rua estreita em direção aos altos muros da fábrica que os esperava implacável e cujos inúmeros olhos quadrados e amarelos iluminavam a calçada lamacenta. Vozes bocejantes ressoavam com roucas explicações; pragas cortavam o ar; e uma onda de ruídos vagos acolhia os operários; a pesada traquinada das máquinas, o resfolegar do vapor. Sombrias e mal encaradas como sentinelas, perfilavam-se as altas chaminés negras.
À tarde, ao sol poente, os seus raios vermelhos iluminavam as vidraças do casario; a oficina vomitava das suas entranhas de pedra todas as escórias humanas, e os operários enegrecidos pelo fumo, espalhavam-se novamente pelas ruas, deixando atrás de si exalações ásperas do óleo das máquinas. Então havia na sua voz animação e até alegria; tinha terminado os trabalhos forçados por algumas horas; em casa os aguardava refeição e descanso.
A MÃE - Gorki
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